22 Dirigindo-se aos seus discípulos, Jesus acrescentou: “Portanto eu lhes digo: Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. 23 A vida é mais importante do que a comida, e o corpo, mais do que as roupas. 24 Observem os corvos: não semeiam nem colhem, não têm armazéns nem celeiros; contudo, Deus os alimenta. E vocês têm muito mais valor do que as aves(...)28 Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, quanto mais vestirá vocês, homens de pequena fé!
29 Não busquem ansiosamente o que comer ou beber; não se preocupem com isso. (...)
31 Busquem, pois, o Reino de Deus, e essas coisas lhes serão acrescentadas.
32 “Não tenham medo, pequeno rebanho, pois foi do agrado do Pai dar-lhes o Reino.
33 Vendam o que têm e dêem esmolas. Façam para vocês bolsas que não se gastem com o tempo, um tesouro nos céus que não se acabe, onde ladrão algum chega perto e nenhuma traça destrói.
34 Pois onde estiver o seu tesouro, ali também estará o seu coração. Lucas 12
Depois de tratar do pecado da avareza e do egoismo nos versículos anteriores (1-21) falando à multidão, Jesus fala duas coisas agora somente aos seus discípulos : primeiro da fidelidade de Deus àqueles que “buscam o reino” , a não ficarem preocupados desnecessariamente com os cuidados da vida e com isso perder tudo de bom que essa vida pode proporcionar na companhia do Pai e ainda ter a chance de trazer outras pessoas para esse Reino. Nos versículos seguintes ele reforça esse ensino da temporalidade dos bens e adverte os discípulos para que estejam prontos para uma crise, provavelmente em relação aos eventos relacionados à crucificação. Alguns referem-se a esse texto como Jesus falando de sua Segunda Vinda.
Jesus fala de um senhor que quando retorna de um afastamento, encontra seus servos em prontidão. A volta do senhor sempre é inesperada – pode ser de noite ou de madrugada. Ele fica tão contente ao encontrar seus servos à postos que ele mesmo passa a servi-los invertendo o papel normalmente esperado. Jesus fala então da responsabilidade dos servos.
Prontidão para o Serviço
35 “Estejam prontos para servir, e conservem acesas as suas candeias, 36 como aqueles que esperam seu senhor voltar de um banquete de casamento; para que, quando ele chegar e bater, possam abrir-lhe a porta imediatamente. 37 Felizes os servos cujo senhor os encontrar vigiando, quando voltar. Eu lhes afirmo que ele se vestirá para servir, fará que se reclinem à mesa, e virá servi-los. 38 Mesmo que ele chegue de noite ou de madrugada, felizes os servos que o senhor encontrar preparados.39 Entendam, porém, isto: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não permitiria que a sua casa fosse arrombada. 40 Estejam também vocês preparados, porque o Filho do homem virá numa hora em que não o esperam”. Lucas 12
A pergunta de Pedro:
41 Pedro perguntou: “Senhor, estás contando esta parábola para nós ou para todos?”
Jesus faz Pedro pensar com outra pergunta:
42 O Senhor respondeu: “Quem é, pois, o administrador fiel e sensato, a quem seu senhor encarrega dos seus servos, para lhes dar sua porção de alimento no tempo devido?43 Feliz o servo a quem o seu senhor encontrar fazendo assim quando voltar. 44 Garanto-lhes que ele o encarregará de todos os seus bens.
Um mordomo competente cuidava de fazenda como um todo , incluindo a devida alimentação de seus subalternos. Devia elaborar programas de manutenção da casa, de como cuidar da plantação, dos animais,etc. Normalmente os mordomos gozavam de autonomia e da inteira confiança de seu senhor.
Mas poderia acontecer eventualmente que algum mordomo relaxasse nas suas funções. Já que o senhor demorava...
45 Mas suponham que esse servo diga a si mesmo: ‘Meu senhor se demora a voltar’, e então comece a bater nos servos e nas servas, a comer, a beber e a embriagar-se. 46 O senhor daquele servo virá num dia em que ele não o espera e numa hora que não sabe, e o punirá severamente e lhe dará um lugar com os infiéis.
Talvez o mordomo não tivesse para quem mostrar o seu trabalho e ficasse desmotivado, ou não. O que não se admitiria era que ele fosse bater nos servos e nas servas, a comer, a beber e a embriagar-se. Esse mordomo da parábola ficaria classificado como “infiel”. O que pegou mal foi o tratamento em relação às outras pessoas da casa e até a si mesmo. Já naquela época estava clara a certeza do castigo para quem não é responsável como mordomo como Deus se referiu a Israel e lemos em Amós 3:1-2.
1 Ouçam esta palavra que o SENHOR falou contra vocês, ó israelitas; contra toda esta família que tirei do Egito:2 “Escolhi apenas vocês de todas as famílias da terra; por isso eu os castigarei por todas as suas maldades”.
A responsabilidade recai maior sobre aqueles que muito receberam.
47 “Aquele servo que conhece a vontade de seu senhor e não prepara o que ele deseja, nem o realiza, receberá muitos açoites.
Jesus conclui com a certeza do castigo para aqueles que deixam de cumprir o seu dever. Os homens não são julgados apenas por fazer o mal mas também por deixar de fazer o bem – Tiago 4:17: Pensem nisto, pois: Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado.
E Jesus conclui:
48 Mas aquele que não a conhece e pratica coisas merecedoras de castigo, receberá poucos açoites. A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido.
Mesmo nesse caso último do mordomo mal informado, mesmo os açoites sendo poucos, não devemos subestimar a vontade do Pai. Não existe ignorância moral absoluta, todos os mordomos tem responsabilidade.
Enquanto leio esse texto dos mordomos percebo que tem muito a ver com ministério com pessoas. Traço um paralelo dele com a Parábola da Ovelha Perdida:
3 Então Jesus lhes contou esta parábola: 4 “Qual de vocês que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma, não deixa as noventa e nove no campo e vai atrás da ovelha perdida, até encontrá-la? 5 E quando a encontra, coloca-a alegremente nos ombros 6 e vai para casa. Ao chegar, reúne seus amigos e vizinhos e diz: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei minha ovelha perdida’. 7 Eu lhes digo que, da mesma forma, haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam arrepender-se. Lucas 15
O pastor (assim como com os mordomos) possuía a um programa de trabalho que consistia de cuidar de cem ovelhas em atenção integral, mas não hesitou em parar seu programa para cuidar da ovelha desgarrada – a estória nos ensina que pessoas são mais importantes que programase que é isso que Jesus também está ensinando na parábola dos mordomos acima descrita.
Todos somos mordomos daquilo que Deus nos confiou. Devemos buscar qual é a vontade do Pai – buscar o Reino - e cumpri-la. O Reino de Deus é o das pessoas.
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Jorge Wilson
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