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Conversando com epicureus e estóicos
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, Autor: Jorge Wilson
Ou - com ateus e indiferentes

 

Paulo havia pregado recentemente nas cidades de Tessalônica e Beréia, mas como diz o v. 13 :

Quando os judeus de Tessalônica ficaram sabendo que Paulo estava pregando a palavra de Deus em Beréia, dirigiram-se também para lá, agitando e alvoroçando as multidões. Atos 17

Desse modo Paulo foi , para sua segurança, encaminhado a Atenas, mas :

16 Enquanto esperava por eles em Atenas, Paulo ficou profundamente indignado ao ver que a cidade estava cheia de ídolos. 17 Por isso, discutia na sinagoga com judeus e com gregos tementes a Deus, bem como na praça principal, todos os dias, com aqueles que por ali se encontravam. 18 Alguns filósofos epicureus e estóicos começaram a discutir com ele. Alguns perguntavam: O que está tentando dizer esse tagarela? Outros diziam: Parece que ele está anunciando deuses estrangeiros, pois Paulo estava pregando as boas novas a respeito de Jesus e da ressurreição. 19 Então o levaram a uma reunião do Areópago, onde lhe perguntaram: Podemos saber que novo ensino é esse que você está anunciando? 20 Você está nos apresentando algumas idéias estranhas, e queremos saber o que elas significam. 21 Todos os atenienses e estrangeiros que ali viviam não se preocupavam com outra coisa senão falar ou ouvir as últimas novidades.

Mas quem eram os epicureus e estóicos ?

Eram correntes de filosofia. A moral epicurista é uma moral hedonista mas com refinamento filosófico. Epicuro, fundador dessa escola , nasceu em Atenas, provavelmente, em 341 a.C. e foi criado em Samos. Dentre os filósofos que questionavam a existência de um deus criador e controlador, Epicuro foi o mais influente . Isso nos dá uma idéia do time com quem Paulo estava argumentando e que não tiveram interesse em continuar a conversa (vs 31 e 32).

Sua escola de pensamento era muito apreciada pelas classes aristocráticas, pois ele ensinava que:

O fim supremo da vida é o prazer sensível (não necessariamente sensual); critério único de moralidade é o sentimento. O único bem é o prazer, como o único mal é a dor; nenhum prazer deve ser recusado, a não ser por causa de conseqüências dolorosas, e nenhum sofrimento deve ser aceito, a não ser em vista de um prazer, ou de nenhum sofrimento menor. No epicurismo não se trata, portanto, do prazer imediato, como é desejado pelo homem vulgar; trata-se do prazer imediato, refletido, avaliado pela razão, escolhido prudentemente, sabiamente, filosoficamente. É mister dominar os prazeres, e não se deixar por eles dominar; ter a faculdade de gozar e não a necessidade de gozar. A filosofia toda está nesta função prática.(...)

A serenidade do sábio não é perturbada pelo medo da morte, pois todo mal e todo bem se acham na sensação, e a morte é a ausência de sensibilidade, portanto, de sofrimento. Nunca nos encontraremos com a morte, porque quando nós somos, ela não é, quando ela é nós não somos mais.

http://www.mundodosfilosofos.com.br/epicurismo.htm  :acessado em 25/10/2008.

O ateísmo de Epicuro (citações):

A morte é meramente a separação dos átomos que nos compõe. Não anuncia portanto nem castigos nem recompensas para os homens. Não devemos temer nem a morte e menos ainda, as punições infernais inventadas pela ignorância e pela superstição.

Deus, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode.
Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus.
Se pode e não quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus.
Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: portanto nem sequer é Deus.
Se pode e quer, que é a única coisa compatível com Deus, donde provém então existência dos males?
Por que razão é que não os impede?

 

http://www.pensador.info/autor/Epicuro/2/  acessado em 26/10/2008

(Esse mesmo argumento de Epicuro ouço frequentemente por pessoas , geralmente de bom nível intelectual quando querem justificar sua descrença na existência Deus , ou relativizar Sua importância .)

Mas o pitoresco é que, mesmo sendo ateu ...

Epicuro venera os deuses, não para receber auxílio, mas porque eles encarnam o ideal estético grego da vida, ideal que tem uma expressão concreta precisamente nas belas divindades do panteão helênico. Então, se os deuses não proporcionam ao homem nenhuma vantagem prática, proporcionam-lhe contudo o bem da elevação, que importa na contemplação do ideal. É preciso venerá-los para imitá-los.

http://www.mundodosfilosofos.com.br/epicurismo.htm  : acessado em 25/10/2008

Só para se ter uma idéia de como eram e agiam esses deuses gregos, temos o seguinte relato de Gundry no seu Panorama do Novo Testamento (Ed Vida Nova):

O deus supremo do panteão grego ou hierarquia de divindades era Zeus, filho de Cronos. Cronos, que arrebatara o governo do mundo das mãos de seus pai, Urano, canibal que era, devorava os seus próprios filhos á medida que iam nascendo. Todavia a mãe de Zeus salvou ao seu infante ao entregar a cronos uma pedra envolta em cobertores infantis, para que a engolisse. Ao atingir a idade adulta, Zeus derrubou seu pai e dividiu os domínios daquele com seus dois irmãos, Poseidom , que passou a governar os mares, e Hades, que se tornou o senhor do mundo inferior. O próprio Zeus pôs-se a governar os céus.(...)

De acordo com a mitologia, Zeus era forçado a abafar ocasionais rebeliões da parte dos deuses, os quais exibiam pendores perfeitamente humanos de paixões e concupiscências, de amor e ciúmes, de ira e ódio. De fato, os desuses seriam superiores aos homens somente quanto ao poder, à inteligência e à imortalidade mas por certo não quanto à moralidade.

ESTOICISMO

O fundador da antiga escola estóica é Zenão de Citium (334-262 a.C., mais ou menos). Os motivos desta filosofia pragmatista devem ser procurados na decadência espiritual e moral da época, faltando ao homem interesse e a força para a especulação pura, bem como na profunda tristeza dos tempos e na profunda sensibilidade diante do mal. Tudo isto torna dolorosa a vida do homem, que procura na filosofia um conforto, uma orientação moral, encontrando-a na renúncia ao mundo e à própria vida.

A virtude estóica é, no fundo, a indiferença e a renúncia a todos os bens do mundo que não dependem de nós, e cujo curso é fatalmente determinado. Por conseguinte, indiferença e renúncia a tudo, salvo e pensamento, a sabedoria, a virtude, que constituem os únicos bens verdadeiros: indiferença e renúncia à vida e à morte, à saúde e à doença, ao repouso e à fadiga, à riqueza e à pobreza, às honras e à obscuridade, numa palavra, ao prazer e ao sofrimento - pois o prazer é julgado insana vaidade da alma. (...)A serenidade, a apatia dos estóicos seria, sem dúvida, fruto de uma fatigosa conquista, de uma dura virtude. Mas é uma virtude absolutamente negativa. Com efeito, quando o homem se torna indiferente a tudo, e a tudo renuncia, salvo o seu pensamento - cujo conteúdo é, em definitivo, esta mesma renúncia -, não lhe resta efetivamente mais nada. Não Deus, pois no sistema estóico, é uma pura palavra; não a alma, destinada a resolver-se na matéria. A sabedoria estóica é ação negadora da expansão das forças espirituais, virtude corrosiva, morte moral.

http://www.mundodosfilosofos.com.br/estoicismo.htm  : acessado em 25/10/2008

Para os estóicos haveria uma Razão, uma espécie de determinismo ao qual os homens deveriam aceitar para sua vida daí a indiferença e a renúncia deles.

Mas no meio de tanto ateísmo e descrença , Paulo , iluminado pelo Espírito, pegou o gancho evangelístico no altar AO DEUS DESCONHECIDO:

22 Então Paulo levantou-se na reunião do Areópago e disse: Atenienses! Vejo que em todos os aspectos vocês são muito religiosos, 23 pois, andando pela cidade, observei cuidadosamente seus objetos de culto e encontrei até um altar com esta inscrição: AO DEUS DESCONHECIDO. Ora, o que vocês adoram, apesar de não conhecerem, eu lhes anuncio.24 O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há é o Senhor dos céus e da terra, e não habita em santuários feitos por mãos humanas. 25 Ele não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo, porque ele mesmo dá a todos a vida, o fôlego e as demais coisas. 26 De um só fez ele todos os povos, para que povoassem toda a terra, tendo determinado os tempos anteriormente estabelecidos e os lugares exatos em que deveriam habitar. 27 Deus fez isso para que os homens o buscassem e talvez, tateando, pudessem encontrá-lo, embora não esteja longe de cada um de nós. 28 Pois nele vivemos, nos movemos e existimos, como disseram alguns dos poetas de vocês: Também somos descendência dele. (aqui, segundo a Bíblia Vida Nova Paulo cita Epimênides ou Cleanthopág 165) 29 Assim, visto que somos descendência de Deus, não devemos pensar que a Divindade é semelhante a uma escultura de ouro, prata ou pedra, feita pela arte e imaginação do homem. 30 No passado Deus não levou em conta essa ignorância, mas agora ordena que todos, em todo lugar, se arrependam. 31 Pois estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio do homem que designou. E deu provas disso a todos, ressuscitando-o dentre os mortos.32 Quando ouviram sobre a ressurreição dos mortos, alguns deles zombaram, e outros disseram: A esse respeito nós o ouviremos outra vez.33 Com isso, Paulo retirou-se do meio deles. 34 Alguns homens juntaram-se a ele e creram. Entre eles estava Dionísio, membro do Areópago, e também uma mulher chamada Dâmaris, e outros com eles. Atos 17

Os gregos haviam recebido o pensamento dualista de Platão, segundo o qual, o nosso espírito é bom e a matéria, ruim. Então os gregos teriam duas condutas: ascetismo para suprimir os desejos do corpo (estóicos) ou indulgência em relação ás paixões da carne (epicureus - liberação total, ainda que com um toque ético). E se a carne é ruim, pensar-se em ressurreição do corpo seria algo abominável. Por outro lado, o espírito sendo bom já seria automaticamente - imortal.

- Então que história é essa de julgamento de que nos fala esse judeu?

Paulo ensina aos gregos que o Deus em que ele acredita se importa com o mundo e irá julgar o mundo com justiça, por meio do homem que designou. E deu provas disso a todos, ressuscitando-o dentre os mortos.(v.31)Com essa declaração , Paulo responde aos epicureus ateus e aos fatalistas estóicos trazendo-lhes a boa notícia do Evangelho. Alguns ouviram e aceitaram .

Acho que ainda hoje continuamos a lidar com ateus e céticos. Esse texto de Atos vem nos fazer perceber essa realidade e nos ensinar a conversarmos com esse público.

Leia os vs 24 -31e escreva uma oração de adoração pedindo ao Pai que lhe dê a mesma percepção que deu a Paulo para perceber as pessoas, suas culturas e assim poder falar do amor do Pai, Filho e Espírito para elas.

Bom salmodiar!

Jorge Wilson

 

 

 

 

 

 

 

 

Outras meditações no nosso blog: http://jwilson.blog.uol.com.br 


Textos Bíblicos CDROM NVI -Concordância Exaustiva da Bíblia Sagrada.




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